Monthly Archives: fevereiro 2014

A delicadeza que engana…

O aspecto inocente da rosinha-de-pedra (Aptenia cordifolia) esconde uma campeã de sobrevivência!

O aspecto inocente da rosinha-de-pedra (Aptenia cordifolia) esconde uma campeã de sobrevivência!

 

Quem observa distraído as mimosas flores da rosinha-de-pedra (Aptenia cordifolia) talvez não consiga compreender a força dessas plantinhas! Não se engane: trata-se de umas das plantas mais resistentes ao calor e à desidratação. Esta suculenta vem as áreas litorâneas junto ao Cabo da Boa Esperança, na África do Sul. Como muitas plantas daquela região, suporta pouca chuva ao longo do ano (quase nenhuma no verão), além do terrível efeito da maresia.

Gosto de usa-la, especialmente em coberturas ou áreas muito ensolaradas e com muito vento. Uma dia desses viajei por dois dias e esqueci uma caixa não utilizada dessas plantas no porta-malas do carro, estacionado em uma área sem sombra. Quando voltei (já esperando o pior), deparei-me com uma cena surpreendente… As plantas estavam lindas e com mais flores abertas que quando eu as deixei lá!!! Talvez sirvam para a decoração de veículos!!!!!!!

Em condições um pouco menos extremas, consegue um crescimento relativamente rápido, cobrindo boas áreas com suas folhas suculentas de um alegre verde-claro! Onde usar? Em um local de sol pleno onde seja preciso uma planta bonita, delicada e que não morra por falta d’água! Seus ramos pendentes as tornam perfeitas para forrar vasos com outras plantas de climas secos, como fizemos em um projeto já mostrado (clique aqui para lembrar).

Imprevisibilidade sob controle…

Projetar jardins é uma tarefa complexa. Quando o cliente nos coloca frente a frente com uma área nova  – muitas vezes ainda em obras – as possibilidades são quase infinitas. Confesso que dá até uma certa ansiedade! Mas o direcionamento principal vem do próprio cliente, que irá compartilhar com você seus sonhos, crenças e valores. Essa será a pedra fundamental do seu trabalho, que somado aos seus próprios valores profissionais, indicarão a direção. Pouco a pouco, aquele bloco bruto de mármore vai tomando uma feição definida. Ainda assim, as opções são muitas vezes numerosas e sempre dá para melhorar um ponto ou outro. Mas chega uma hora que é preciso “bater o martelo” e passar para o próximo nível, para que o sonho torne-se real. E nesse ponto, muitas vezes a natureza se mostra ainda mais interessante que nossas melhores ideias. Segue um exemplo de um jardim projetado por mim no Inhotim em 2009, ao redor da Galeria Valeska Soares, em diferentes fases de sua construção.

 

folheto

Jardins aquáticos dentro de casa?

Certamente, fazer um jardim aquático dentro de casa não é tão simples quanto aqueles que fazemos em áreas externas. Isso porque a maior parte das plantas aquáticas precisa de bastante sol para se desenvolver de forma adequada. Mas o inusitado aspecto de um jardim assim termina por compensar os esforços, sem contar os benefícios na qualidade do ar dentro de casa. Este jardim aquático em Brasília nos deu bastante trabalho, especialmente no que diz respeito às limitações luminosas do local. Depois de muitos experimentos, acreditamos que finalmente equacionamos o conjunto de espécies que pode crescer de forma adequada no local. A palmeira “lakka” (Cyrtostachys renda) destaca-se pelos seus inconfundíveis palmitos vermelhos, mostrando que o bom e velho verde é só uma das cores possíveis em jardins aquáticos!

 

A belíssima palmeira lakka (Cyrtostachys renda) se esforçando para chamar mais atenção que as carpas!

A belíssima palmeira lakka (Cyrtostachys renda) se esforçando para chamar mais atenção que as carpas!

 

Emoldurando a natureza

Na Yamandu Soluções Ambientais acreditamos que o esforço despendido para construir um jardim deve ser racional, em todos os sentidos. É tão comum ver pessoas que compram um terreno e, como primeira medida, derrubam toda a vegetação original. Depois gastam fortunas comprando plantas de grande porte, pois só assim conseguirão os tão citados “elementos verticais” do jardim. Neste projeto em Brasília, aproveitamos o cerrado preservado pelo proprietário e apenas criamos uma moldura verde em seus limites, suavizando a transição entre a mundo doméstico e o mundo selvagem. Sem a introdução de um único “elemento vertical”, o jardim ainda contém os elementos volumétricos coerentes com a paisagem e com a porção construída. A biodiversidade agradece, o bolso também!

 

Com a beleza selvagem do cerrado ao fundo, o jardim só precisa preparar seus olhos para ele (Projeto: Eduardo Gonçalves)

Com a beleza selvagem do cerrado ao fundo, o jardim só precisa preparar seus olhos para percebe-lo (Projeto: Eduardo Gonçalves)

Sol demais ou água de menos? Claro que dá jardim!!!

O calor está demais? O sol anda esturricando suas plantas? Com o fantasma do aquecimento global sobre nossas cabeças, precisamos buscar alternativas viáveis para jardins em áreas pouco protegidas. Especialmente em coberturas – como esta que fizemos em Brasília – o vento também é um vilão. Nestas circunstâncias, o aloé-da-duna (Aloe thraskii) é campeão! Especialmente quando usamos com a rosinha-de-pedra (Aptenia cordifolia) caindo para fora do vaso.

Mesmo com temperaturas altíssimas no verão, esse Aloe thraskii parece feliz nessa cobertura.

Mesmo com temperaturas altíssimas no verão, esse Aloe thraskii parece feliz nessa cobertura.